segunda-feira, janeiro 24

'Informação mediana'

A convite do Marco Almeida, autor do blogue Viver Sintra, escrevi esta prosa sobre o que penso da comunicação social local. O texto foi publicado hoje e as opiniões são bem-vindas, aqui ou lá.

Neste desafio que é reflectir sobre a minha experiência no jornalismo local, não posso deixar de traçar um panorama pouco animador sobre a indústria da informação em Sintra. Apesar de proliferarem títulos, sobretudo na imprensa, é inegável que o maior concelho do país não tem um único projecto sólido e ambicioso.

Por incapacidade ou incompetência, há de tudo, uns mais desfasados das necessidades actuais, outros seguidores de uma linha editorial bem comportada que não choque os principais anunciantes. Outros, de jornal só têm o papel, já que se limitam a reproduzir comunicados das autarquias. Na rádio e apesar do trabalho esforçado da RCS, o panorama também já foi melhor nos tempos da Ocidente, projecto que tenta reerguer-se agora no online.

Muitos fazem o chamado jornalismo de secretária, se é que a essa prática pode chamar-se jornalismo. Basta espreitar qualquer evento e verificar quantos jornalistas ou colaboradores locais estão presentes. Veja-se as assembleias municipais ou as reuniões de câmara, fóruns políticos onde se decide parte dos destinos dos sintrenses. Num dia bom, há três órgãos representados. Os restantes ficam à espera dos comunicados.

O projecto em que mais acreditei durante alguns meses foi o Correio de Sintra, um dos vários jornais onde colaborei, mas cuja falta de visão e de profissionalismo da administração me desanimou. Lamento que haja empresários que pensem que é legal ingerir permanentemente na linha editorial e que encarem a informação de forma tão provinciana e saloia (no que estas expressões têm de pejorativo).

Os media de Sintra padecem da falta de meios e da dispersão de títulos, mas também da falta de escrúpulos e da promiscuidade entre boa parte dos intervenientes. É um facto que não ajuda termos muitos políticos e muitas entidades medianas, com vistas curtas e uma enorme incapacidade de comunicação. A Câmara de Sintra é dos piores exemplos, uma espécie de buraco negro de onde não sai grande coisa, nem mesmo com um gabinete de comunicação composto por pessoas experientes no jornalismo.

No domínio comercial pratica-se o ‘vale tudo’, sobretudo a subserviência aos anunciantes, a concorrência desleal e o dumping de preços, práticas responsáveis pela má saúde financeira da maioria dos projectos. Este vale tudo abrange o roubo literal de clientes da concorrência e a mentira descarada nos números das tiragens, com alguns títulos a imprimirem na realidade menos de um quinto do que anunciam na ficha técnica.

Apesar deste panorama, tenho esperança de que Sintra venha a ter uma comunicação social melhor e mais ambiciosa, mais profissional e menos subserviente. Afinal, somos o maior concelho do país e merecemos mais. Da minha parte continuo disponível para abraçar projectos sérios. Entretanto, podem encontrar-me no Tudo sobre Sintra, um blogue de informação local independente, apartidário e plural disponível em http://tudosobresintra.blogspot.com, no Twitter e no Facebook.

Luís Galrão, Freelancer

14 comentários:

Anónimo disse...

Comentários deixados no Viver Sintra (http://viver-sintra.blogspot.com/2011/01/informacao-mediana.html):

3 comentários:

Ana disse...
Sendo eu, também, objecto de crítica, subscrevo na íntegra a palavras do Luís Galrão!
24 de Janeiro de 2011 15:57

Fátima Campos disse...
A leitura atenta deste post suscita-me o comentário. Ao seu conteúdo e também sobre o seu autor.
Concordo em grande medida com a substância do texto do Luís Galrão sobre o jornalismo regional em Sintra. Quer no diagnóstico – pequeno jornalismo, dependente e reverente ao poder -, quer nas causas - preguiça/incompetência ou pura opção editorial de obediência ao poder instituído. Eu própria senti e sofri na pele esta “tendência” da comunicação social local em Sintra.
A análise remete-me, naturalmente, para quem a subscreve. Luís Galrão é um dos melhores jornalistas que conheço (e a escala aqui é global). Competente, diligente e independente. Infelizmente vai sendo raro na imprensa nacional e regional, esta última, com a qual contacto quase diariamente. O paradoxal de tudo isto é que o Luís Galrão não integra nenhuma redacção deste concelho e - ao que julgo saber, até pelo que deduzo serem as dificuldades inerentes ao estatuto de freelancer – nenhum órgão de comunicação social está verdadeiramente interessado em tê-lo nos seus quadros. Um sinal dos tempos…
Fátima Campos
25 de Janeiro de 2011 12:05

R. Farrolas disse...
Apesar da moderação de comentarios ter sido activada, acredito que a liberdade de expressão, esteja presente no autor da crónica e nao vá o diabo tece-las remeter-me para anos mais recuados do tempo da censura. Eu sou comercial, vendedor de publicidade e sem qualquer aspiração a jornalista. Pouco ou nada conheço do sr. Galrão, que acredito seja um bom profissional, que diz ter trabalhado no jornal Correio de Sintra, por sinal um jornal onde colaboro, e imaginem nunca o vi no seu local de trabalho e sempre que se marcaram reuniões de trabalho cobardemente e escondendo-se atras de desulpas esfarrapadas nunca compareceu. Nao sendo cego tenho que concordar com algumas das suas observações, contudo para alguem tão iluminado acho que seria no jornal que deveriam ser feitas e de forma construtiva contribuir para a malhoria do jornal correio de sinta em particular.Concordo com a SrªFatima Campos , realmente e estranho que nao integre a redação de qualquer orgão de comunicação local e mais estranho ainda para que esta proximo da genialidade ninguem o queira nos seus quadros. Apesar de tudo e poeque acredito que possa estar enganado fico ansiosamente a espera de um verdadeiro jornal local em Sintra com direcção e propriedade do Sr Luis Galrão, teriamos todos os sintrenses a ganhar. Fico a espera sentado no sofá.
26 de Janeiro de 2011 21:51

L.G. disse...

Resposta aqui e no Viver Sintra:

Caro Ramiro,
Tenho problemas de coluna e custa-me andar vergado. Depreendo que não é o seu caso, já que fala dessa forma de alguém que 'pouco ou nada conhece' e aceita dar a cara em nome da administração de uma casa onde trabalha esporadicamente. Se bem me lembro, colaborou nas primeiras duas ou três edições e depois saiu e foi vender para outra empresa. Terá voltado em Dezembro, mas nunca o vi nas reuniões de planeamento onde é prática (ilegal) os comerciais tentarem influenciar (decidir) a linha editorial do jornal. Deve ser por isso que também nunca o vi nos dias de fecho, aqueles dias em que a redacção trabalha 16 horas seguidas a troco de uma miséria. É pena porque pelo menos aí poderia ter razões de queixa. É que nesses dias revelo todo o meu mau feitio e exijo profissionalismo… Se andasse por lá (e soubesse ler, uma característica que muitos comerciais perderam), conheceria também todas as propostas críticas e construtivas que foram sendo feitas, uma delas mais insistentemente: cumprir a lei. Quanto a não integrar nenhum quadro, é uma opção por causa do tal problema de coluna... Aproveito para agradecer as palavras da Fátima e o convite do Marco.
Luís Galrão

PS – Ramiro, diga à administração que a prosa também está aqui, caso queira lá exigir o direito de resposta: http://ave-do-arremedo.blogspot.com

Anónimo disse...

Mais dois comentários no Viver Sintra:

27 de Janeiro de 2011 11:56
Fernando Sousa disse...

O comentário que o senhor R. Farrolas deixou ao post do Luís Galrão é absolutamente extraordinário. Passando ao lado do que substancialmente estava em causa, transformou o que até poderia ser um debate útil num ataque pessoal. Escrevo estas linhas na esperança de que o senhor RF ainda esteja sentado. O jornalista traçou um panorama sobre a mediania dos media sintrenses, e fundamentado, com exemplos; o senhor veio a público só provar que ele tinha razão. O Luís, que conheço há muitos anos, e por quem tenho a maior estima, pessoal e profissional, e não só eu, pois a própria classe a tem, é um repórter sério a tentar sobreviver num ambiente mediático medíocre que é o contrário dele. Sintra não tem uma comunicação social séria, porque não a faz a sério. Neste sentido, o jornalista até foi muito bondoso, pois devia ter escrito uma imprensa bronca, pois foi esse o retrato que fez dela, e eu assino por baixo. Num ou noutro passo, não estarei completamente de acordo com ele, mas não lho posso explicar a si porque duvido que entendesse. Seria necessário que tivesse entendido o balanço do jornalista para acreditar que percebesse a minha explicação. Mas posso desenhá-la: num jornal sério, os comerciais vendem, os jornalistas escrevem e cada um responde pelo seu trabalho para o bolo comum, sendo que nenhum deve meter-se no do outro; num jornal sério, nem os comerciais escrevem nem os jornalistas vendem publicidade; num jornal sério, os empresários não se metem no trabalho dos jornalistas, nem mesmo os directores, excepto na defesa da linha editorial; num jornal sério, os jornalistas investigam, fazem notícias, não publicam nem favores nem comunicados; num jornal sério, nacional ou regional, os jornalistas não devem viver sequestrados nem dos humores políticos nem dos anunciantes; num jornal sério, o jornalismo devia ser feito, não por curiosos mas por pessoas que sabem, além da ética, ver, ouvir, e, em lugar de calar, escrever, informar, denunciar, formar, saber fazer títulos; num jornal sério, os jornalistas não servem, nunca, interesses políticos, económicos ou confessionais; num jornal sério, os jornalistas devem ser pagos com salários justos, não à comissão. (Ainda está sentado? Então ouça umas linhas mais). O jornalista Luís Galrão não tem neste momento trabalho porque este jornal de que lhe falo não existe no Concelho de Sintra. Aliás foi neste sentido o comentário de Fátima Campos, que o senhor deturpou com o mesmo espírito com que escreveu este ataque ao jornalista. Tivesse eu dinheiro para fazer um jornal de raiz em Sintra e ele seria o primeiro a entrar nele. O senhor R. Farrolas também poderia entrar, porém garantindo que deixaria o veneno à porta e se limitaria a fazer o que aparentemente sabe fazer melhor: vender publicidade. Então a nossa terra poderia acordar de manhã e comprar um jornal de que se pudesse orgulhar, que foi o que Luís Galrão quis fazer no Correio de Sintra. E pronto, senhor R. Farrolas, já se pode levantar.


28 de Janeiro de 2011 22:05
Hugo Nicolau disse...

É impossível não estar de acordo...
Sintra é gigante numas coisas e tão insignificantes noutras...
Em Sintra existem 3 frequencias de radio, e que informação o serviço regional fazem?
# Rádio Clube de Sintra - 91.2 FM
# Nossa FM - 107.7
# Mega FM - 88.0
Enfim...
Hugo Nicolau
29 de Janeiro de 2011 00:50

Fátima Campos disse...

Caro R. Farrolas,
Não o conheço de lado nenhum e por isso agradeço que não use o meu nome para o seu "destilar de bílis".
Quando refiro no meu comentário que o Luís Galrão não integra nenhuma redacção dos órgão de comunicação social deste concelho e que nenhum deles estará verdadeiramente interessado em tê-lo nos seus quadros, quero dizer que ele não se vende por preço nenhum, é de uma verticalidade exemplar e não se verga a pressões. E a "Sra. Fátima Campos", autarca deste concelho há 18 anos, já conheceu e conhece "muito boa gente" ligada às redacções dos vários jornais que foram aparecendo e desaparecendo, no concelho de Sintra, ao longo destes anos.
Parabéns, Luís Galrão, pela sua isenção e verticalidade. Continue a ser a pessoa que é, pois a nossa honra é invendável!
Fátima Campos

Anónimo disse...

Mais um comentário no Viver Sintra:

JARamos disse...
Estou de acordo com grande parte do retrato feito por Luis Galrão,porque toca nalguns aspectos importantes que caracterizam a existência ou a falta de projetos de jornalismo em geral ou regional, no caso de Sintra.

Não conheço o Luis Galrão, mas admito que, pelo que disse, prefira manter-se como "freelancer" do que sujeitar-se a práticas que contrariam um pensamento sério no exercício do jornalismo e o próprio código deontológico dos jornalistas.

Subscrevo, nesta medida, o comentário de Fernando Sousa, porque na comunicação social, existe muitas vezes, de facto, uma grande distância entre o dever e o fazer.

Quanto ao comentário de Fátima Campos, para além da apreciação que faz do conhecimento que tem sobre o Luis Galrão e o seu trabalho, apenas refiro que o sofrer na pela certas tendências da comunicação social sintrense, faz parte do currículo dos políticos quer estejam no poder quer na oposição. Uns mais que outros, sejam a nível nacional ou local, da esquerda à direita passando pelos que se consideram mais independentes, os políticos devem estar preparados para esta tal realidade tendenciosa, de que muitos correlegionários são os principais responsáveis.

O problema da imprensa/rádio local de Sintra é o mesmo de outra comunicação social num qualquer concelho deste país. Se te juntares ao poder, se não o tratares mal, sobreviverás, caso contrário...estás condenado!

Infelizmente a lógica do dinheiro, do poder económico e do poder político sobrepõe-se e impera cada vez mais no mundo da comunicação social. Poderíamos falar aqui sobre inúmeros exemplos!

Mesmo os projetos nacionais de comunicação social têm dificuldades
em resistir a certas investidas do poder económico e político!Também sobre esta realidade são bem conhecidos alguns casos!

Em boa verdade, penso que qualquer projeto de jornalismo que se apresente como profissional e sério, seja em Sintra ou em qualquer parte, deve estar bem preparado para enfrentar os vários poderes instituídos, porque não lhe bastará ter jornalistas profissionais e sérios para sobreviver.

Em boa verdade, não me parece que exista em Sintra quem queira patrocinar, investir num projecto profissional e sério, para enfrentar diariamente os diversos poderes. Pura e simplesmente porque precisa deles, convive com eles todos os dias!

Do lado dos que não são potenciais investidores, os profissionais da imprensa ou da rádio, ou se remetem ao jornalismo possível ou fazem como o Luis Galrão e preferem o estatuto de "freelancers" a ter que renegar os seus princípios deontológicos.
29 de Janeiro de 2011 16:30

Luís Galrão disse...

AVISO aos filhos-da-puta que andam a enviar-me ameaças por SMS: à terceira publico número e conteúdo (além da queixa formal)!

Fátima Campos disse...

Para o Luís Galrão fazer este tipo de comentário, deve ter atingido o limite da paciência!!!
Luís, eu nem sequer ameaçava. Se sabe quem é, apresente uma queixa formal. E não é à PSP, é à Polícia Judiciária. Resulta muito melhor, garanto-lhe. Gente mesquinha não merece que perca as estribeiras.
Um abraço com amizade,
Fátima Campos

Fátima Campos disse...

Corrijo: "se souber quem é..."

Carlos disse...

Os exemplos na imprensa nacional, sobretudo a desportiva, são igualmente reveladores do estado a que isto chegou: http://caoepulgas.blogspot.com/2011/02/o-que-eu-penso-de-alexandre-pais.html

L.G. disse...

Mais leitura interessante sobre a classe: http://temposmodernos.blogs.sapo.pt/1201.html

Anónimo disse...

Mais um exemplo de falta de seriedade:
Diário Económico "chumba" em auditoria de circulação
(Auditoria não encontrou justificação para um terço da circulação paga. DE teve de reclassificá-lo como ofertas)
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=470873

Anónimo disse...

Ver também: 'Que futuro para a imprensa regional?' http://www.tudosobresintra.com/2012/01/que-futuro-para-imprensa-regional.html

L.G. disse...

"A Imprensa Regional
por Nuno Resende

Para promover os desígnios pessoais e colectivos de certos edis e edilidades existe a imprensa regional. Longe dos tempos em que servia a quezília política e ideológica, anunciava abertura de novas mercearias ou publicitava as carreiras de vapor para o Brasil ou os comboios para França, o pequeno jornalismo serve hoje de bandeja o longo rol de obras paroquiais e municipais. A mentalidade ainda é semelhante à que imperava durante essa longa noite radiofónica chamada Estado Novo: o jornalista local é uma extensão do funcionalismo , agora munido de gabinetes de comunicação que preparam as notícias. Estas não diferem muito, em teor e assuntos, do tempo da Segunda República (1926-1974), quando os senhores dos velhos municípios liberais (escudados em anacrónicos pretensos direitos medievais) se ufanavam de, com pompa e circunstância, inaugurar fontanários, caminhos rurais ou casas do povo. Hoje são rotundas, parques de merenda e auditórios, como se a cada concelho coubesse a necessidade de equipar-se segundo um pequeno país. No fundo não temos municípios mas antes 308 principados do “tipo Andorra” cada um com a sua biblioteca, o seu auditório, tribunal e complexos desportivos que poucos usam porque as muitas estradas levaram os habitantes a procurar outras paragens. No meio desta esquizofrenia urbanística estão, portanto, os jornais locais.
Ali pela minha terra, alturas de cima Douro, jornais como A Verdade, o Margem Douro, Viseumais e todos os folhetins radiofónicos que entretêm os ouvintes entre uma Romana e um Quim Barreiros, debitam notícias de teor municipalista e fitista. Numa corrida frenética presidentes e vereadores inauguram mesas de merenda, plantam árvores, distribuem vacinas sem qualquer eficácia preventiva e abrem concursos para a abertura de novas estradas, asfaltamento das anteriores e planeamento de outras mais. Toda esta engrenagem é oleada pela propaganda comunicacional dos técnicos resgatados à boca das universidades segundo as lógicas clientelistas que bem conhecemos. A este são entregues as famosas Revistas Municipais, de luxuoso papel e sofrível fotografia que tratam de fazer a publicidade interna. Ao mundo exterior são enviados press release contendo a súmula da frenética actividade do edil e companhia. Mesmo em tempo de fome, desemprego e desespero esta máquina não para. E depois vão perguntar a presidentes de câmara e de junta se concordam com a redução do número de autarquias. Estavam à espera que eles respondessem o quê? Que sim?

Não haja dúvida que, se há coisa que aproxima os jornalistas locais dos nacionais é a mediocridade."

In http://aventar.eu/2012/04/09/a-imprensa-regional/

TSS disse...

"Em Sintra, é conhecida a anemia que ataca os já poucos órgãos de comunicação social existentes, com edições em papel cada vez mais reduzidas, alguns títulos saindo em papel já só esporadicamente, e outros virados sobremaneira para a publicidade, aqui e ali entrecortada com notícias requentadas, produto de alguns press release que páginas da net já divulgaram antes de chegar às bancas, e sem cobertura adequada dos eventos por falta de colaboradores."

http://reinodeklingsor.blogspot.pt/2012/10/o-assalto-comunicacao-social.html

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